Local: Porão 
Lugar: Vetores do inconsciente.

Nas primeiras conversas com o diretor ele trouxe a poética do espaço do Gaston Bachelard. Neste texto ele coloca que na arquitetura o porão é o lugar do inconsciente.

Tivemos a sorte de ter o porão no CCSP para estrear a peça, o lugar adequado para essa abordagem, lembra o concreto urbano, duro, árido.
Começa com o espaço organizado = ilusão de controle

Logo as coisas vão se misturando, esfumaçando.
No final tudo fica expandido. 


Uma ideia de organização. Montar o quarto montessoriano de um ser que vem para morrer, layout de um velório. A simetria quer organizar o acontecimento incontrolável da morte. Esta simetria define um "território" dialético da diferença, o gênero em disputa, a diferença como ameaça. Um quarto dual com a cama no centro contém terra.

Espaço híbrido, quarto de criança, casa sem contornos, errância...
Brincadeiras e brinquedos procurando lugar.

As caixas da percepção nasceram aterradas de cultura, pesadas, agora ficam suspensas pela percepção de um inconsciente como névoa no ar que nos atravessa. São também balões de informação, bexigas fantásticas desde a perspectiva das crianças ou memórias adultas, pesadas, flutuantes no espaço. 
Sépia é a paleta e a sensação dominante dessa espacialidade.


Ficha técnica:
Autor: Anthony Neilson
Tradução: Ivo Müller
Elenco: Anna Cecilia Junqueira e Ivo Müller
Direção: César Baptista
Diretor assistente: Arno Afonso
Produção: Nathalia Gouvêa
Figurino: Marichilene Artisevskis
Cenário: Leo Ceolin
Trilha sonora compilada e Iluminação: César Baptista
Designer Gráfico: Leonardo Junqueira