O público é "jogado para dentro do palco" numa caixa de espelhos que multiplica as cenas expandindo o espaço e ao mesmo tempo olha para si. Uma prisão das próprias projeções de um povo.

Praticamente sem objetos de cena (apenas no II Ato, um "sofá-língua" e uma "lustre-escultura") tudo reflete, perigo e sedução. Produzindo ao mesmo tempo um efeito minimalista pela contrução com os espelhos e barroco pelas dobras que estes criam na composição com os atores e a luz. O teto desta caixa funciona como a "íris de um olho", fechando e abrindo, focando e desfocando os acontecimentos, ao memsmo tempo que se movimento respira com o ritmo da tragedia. O que menos interessou no projeto foram as barbas dos hebreus, as colunas "físicas" do Templo ou o registro histórico e realista desta ópera. 


Ficha tecnica

Direção cênica: Emilio Sagi
Regente: Luiz Fernando Malheiros
Cenografia: La Tintota
Figurinos: Olinto Malaquias
Iluminação: Caetano Vilela
Fotografia: Carlos Pedreañez