Originalmente ambientada nos Estados Unidos, França e Inglaterra, “Lulu” ganhou cores, paisagens e referências históricas brasileiras, traz ícones cariocas (o Calçadão de Copacabana, o Morro da Urca), um cassino (inspirado no Palácio Quitandinha, de Petrópolis) e palafitas de Manaus. O retrato da protagonista feito pelo Pintor e usado em cena é uma homenagem ao quadro “Pierrete”, do pintor carioca Di Cavalcanti.

Uma escada como único elemento arquitetônico de importância, que simbolicamente leva Lulu da ascendência á decadência.

Toda a ação se passa no período de Carnaval, desde o prólogo, no qual animais de circo (bailarinos da Companhia de Dança do Amazonas, com fantasias criadas pela carnavalesca Rosa Magalhães) se confundem com foliões, até a última cena, quando a festa dá lugar à ressaca.

Proposta do Diretor

Obra-prima do austríaco Alban Berg, “Lulu” narra a história da ascensão de uma mulher por meio do sexo, e sua posterior derrocada, da prostituição até a morte por assassinato.

Na versão da ópera concebida por Tambascio, os cenários e figurinos transpõem a trama para o Brasil dos anos 1930, com Lulu seguindo seu trajeto parabólico pelo Rio de Janeiro, Petrópolis (RJ) e Manaus – onde ela encontra seu desfecho trágico.

Adaptação de uma peça célebre de Frank Wedekind, “Lulu” causou escândalo na sua estreia, em 1937, com sua trama de violência e exploração sexual. Na trama, Lulu seduz vários homens (e uma mulher), que literalmente se matam por ela, e depois acaba numa situação miserável e abjeta.

“A peça é o que é: o uso do sexo por essa mulher para subir e atingir sua liberdade; por parte dos homens, para possuir essa mulher; e depois o uso do sexo como exploração”, resume Tambascio.

A essa receita, o hispano-argentino decidiu acrescentar algo de humor. “Introduzi humor na tragédia, pois é algo sombrio demais”, afirma.

“A tragédia segue paralela ao grotesco da comédia. É uma interpretação minha, e que acho que é próximo do que Berg quis dizer. Mas essa, como toda grande obra artística, presta-se a muitos níveis de interpretação”.


Ficha técnica:

Direção de cena: Gustavo Tambascio
Direção musical: Maestro Luiz Malheiros 
Cenografia: La Tintota
Assistência de cenografia: Giorgia Massetani
Figurino: Rosa Magalhães
Iluminação: Fabio Retti