O projeto foi concebido como um site specific, ou seja, uma cenografia-intervenção que se adaptar procurando dialogar com cada lugar onde o espetáculo se apresenta.

O projeto cenográfico e a iluminação foram concebidos e elaborados conjuntamente, para explorar as possibilidades de espaços de apresentação, seja de dia, de tarde ou de noite. Que possam ser manipuladas e rearranjadas dependendo do local pelos próprios bailarinos. 

Como aponta o coreógrafo, a intenção é trazer para o espetáculo o questionamento do estado máximo de For Sale em que vivemos, no qual tudo parece estar à venda. “É um sistema viciado. O objetivo é só atingir sucesso. Acordamos em busca de um salário para pagar as dívidas, para comprar, e isso está deixando o ser humano mais recluso, mais individual. As pessoas andam na rua e não conversam para não perder o foco. Todo mundo traz este peso do sistema. Quero abrir a janela para demonstrar como eu vejo o indivíduo hoje, inserido nessa sociedade”.

Nas conversas percebemos a necessidade de definirmos um território, uma intervenção no espaço público que chamasse a atenção das pessoas que se encontrem com o espetáculo, uma zona estranha que questione a percepção do piloto automático.

Pesquisamos elementos que tenham a questão do consumo, os carrinhos de supermercado pintado de vermelho como elementos cênicos se transformou numa espécie de Totem-ícone do consumo, que ao mesmo tempo é uma área técnica para o som e iluminação.

Outro elemento cênico a ser construído é uma rede também vermelha, formada por cordas e fios elétricos, podendo com a extensão dos fios e as luzes ocupar um espaço de até 10 x 10m, se adaptando assim a diferentes espaços.


Ficha Técnica:

Direção geral: Patrícia Lima
Coreografia: Fernando Martins Paiva
Cenografia e Iluminação: Ari Buccione e Leo Ceolin Estúdio
Figurinos: Carolina Sudati
Técnico de montagem,  som e iluminação: Arlindo batista