Cachorro

A peça
Paris, 1966. Ano da morte de Alberto Giacometti. 
Um ladrão manco aborda uma prostituta cega. Em seu apartamento, ele vê três obras possivelmente criadas especialmente para ela por Giacometti. Ele lhe roubará a mais preciosa. Seu roubo será também uma obra assinada, que mudará para sempre suas vidas. Michel Raskine, diretor das encenações de Dea Loher na França,disse que Cachorro é um O.T.N.I., isto é, um Objeto Teatral Não-Identificável. A partir do texto de Genet, o poeta do crime, o pensador da imagem e do engodo que ela implica, e da obra de Giacometti, artista para quem a realidade foge tanto mais quanto se quer representá-la, Dea Loher superpe uma outra criação, em que o sofrimento, a solidão, a condição humana se tornam arte. 

Concepção da instalação cenográfica
Criação de um lugar-muro: espaço de fronteira, limite e integração entre os elementos, objetos e personagens, metáfora da condição humana, do isolamento do indivíduo na sua solidão enquanto ser único e obra incompleta de si mesmo. 

É um muro fluido, desmembrado, poroso. A pele que o envolve, como a nossa, somente aparenta uma segregação do mundo exterior. A instalação cenográfica é construída com móveis e objetos longilíneos, em alusõo às esculturas de Giacometti, e em perspectiva forçada, resultando numa arquitetura desproporcional em relação aos humanos que ocupem o espaço. A idéia é que seja uma casa habitada por esculturas, mais do que por pessoas. 

Na sua imperfeição inevitável reside o espectro de algo para sempre inacabado, portanto, sempre vivo, em processo, em eterno devir. Estalactites e estalagmites esculturais, em gesso, ocupam o espaço de entrada do público até a instalação. Espalhadas pela platéia, diluem as demarcações do ambiente, ao mesmo tempo em que este pequeno mundo pareceria criado pelos próprios personagens, como expressão de sua natureza e sua condição. 

Ficha tecnica:

Direção:Roberto Lage 
Assistencia de direção: Juca Rodriguez
Iluminação: Juca Rodriguez
Atores: Irene Stefania e Edson D'Santana. 
Cenografia: La Tintota